VLT como instrumento de Gestão Urbana

Joubert Flores Presidente da ANPTrilhos

As cidades crescem e desenvolvem-se rapidamente e por isso é preciso pensar na sua mobilidade em um cenário de 5 a 10 anos. É necessário inserir o transporte de passageiros sobre trilhos nesse planejamento, a fim de dignificar o transporte da população.

Existem hoje, no Brasil, 63 médias e grandes regiões metropolitanas, e somente 12 delas possuem algum tipo de sistema de transporte de passageiros sobre trilhos. Dada a atual taxa média de crescimento da população brasileira, estima-se que mais oito regiões poderão vir a integrar esse rol no curto prazo.

Não se pode mais pensar em transporte urbano de forma isolada. É preciso formatar um pensamento integrado entre os representantes do setor e os governos para evitar o colapso iminente das cidades e das metrópoles e, além disso, desenvolver o transporte de passageiros de forma avançada, segura, ordenada, rápida e sustentável para o futuro.

Acreditando que a implantação e a expansão dos sistemas sobre trilhos nas cidades brasileiras sejam uma realidade a curto e médio prazos, a ANPTrilhos faz a sua parte para tornar as cidades mais sustentáveis, melhorar a qualidade de vida das pessoas, defender a excelência na prestação de serviços do transporte público de passageiros e a modicidade tarifária. É preciso aproveitar o novo momento, com as eleições municipais, para que os governantes desenvolvam políticas públicas efetivas, voltadas para o transporte urbano estruturado por modos sobre trilhos

“O VLT impõe-se por sua modernidade,

rapidez, qualidade e segurança.”

O Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) tem conseguido grande visibilidade como instrumento de política de mobilidade porque responde a uma nova lógica de desenvolvimento urbano, planejamento de transporte e preocupação ambiental.  O sistema vem sendo adotado em todo o mundo, não apenas como um modo de transporte, mas também como uma ferramenta para promover e renovar a cidade.

Os investimentos nos sistemas sobre trilhos sempre se revertem em benefícios urbanos que superam os dos demais modos. O VLT interage com a cidade de muitas maneiras: é aberto para a cidade e visível a partir da rua. Urbanistas podem fazer uso de sua inserção mais amigável para recompor o ambiente urbano em torno do VLT e devolver à cidade uma qualidade de vida que desapareceu com a onipresença do automóvel.

Comparado com os demais modos de transporte da cidade, individuais ou coletivos, o VLT impõe-se por sua modernidade, rapidez, qualidade e segurança. Além disso, o VLT é silencioso, não polui o ar, tem capacidade modulável, é confortável e tem acessibilidade territorial.

O Brasil perdeu um longo tempo deixando de investir no transporte público urbano. Como consequência dessa falta de investimento, que foi preterida por uma política de incentivo à utilização do transporte individual, surgiu uma série de manifestações populares que tiveram como base as deficiências do transporte público no Brasil.

O apelo que veio das ruas foi muito claro: é preciso dar qualidade ao transporte público urbano brasileiro. É necessário não só disponibilizar de forma confiável o transporte à população, mas também adequar a capacidade do sistema à sua demanda, promover a segurança e a integração dos sistemas e também conduzir políticas que levem à modicidade tarifária.

Tendo em vista a importância do transporte sobre trilhos para o cidadão e para a mobilidade em nossas cidades, a ANPTrilhos defende sua inclusão como prioridade nas políticas públicas que nortearão a próxima gestão dos governos municipais. Não existem projetos e obras em transporte sobre trilhos que não tenham caráter estratégico e fundamental.