Levante sua voz!

Por Luis Edson de Castro Filho Presidente da ASSEF

Quantos de nós já ouviram falar da conveniência do transporte sobre trilhos? Há quanto tempo ouvimos isso sem que quase nada se altere na matriz de transporte brasileira? Onde ecoa nosso discurso?

 

Uma das mais profundas mensagens, no campo da democracia, de que tomei conhecimento nos últimos tempos veio da inocente comédia “Legalmente Loira 2” – Legally Blonde, estrelado por Reese Witherspoon (2003), cuja protagonista menciona em seu discurso final a seguinte frase: Eu sei que uma voz honesta pode ser mais alta que a multidão. Pena que a vida real não imite a ficção.

 

Em recente participação no Fórum das Entidades de Classe e Instituições de Ensino filiadas ao CREA-SP,

ocorrido no último  6 de abril, tivemos a oportunidade de assistir a uma palestra proferida pelo Eng. Prof. Ênio  Padilha Filho – formado pela Universidade Federal de Santa Catarina em 1986 e mestre em Administração pela UNIVALI (Universidade do Vale do Itajaí). Uma das telas integrantes de sua apresentação exibia o seguinte texto:

 

“As entidades de classe são organizações sem fins lucrativos com diversos objetivos, sendo que, geralmente, dizem respeito a: valorização profissional; representação social e congregação e acolhimento.”

 

E por que essa tela, em particular, nos chamou tanto a atenção?

Por mencionar a valorização profissional. Que a formação técnica dos associados é valorizada, isso já se sabe. Mas quando esses profissionais serão ouvidos para que seus entendimentos prevaleçam nas decisões de governo?

 

“Onde estamos falhando para que a base, isto é,

engenheiros e pensadores que defendem o modal

ferroviário, continue à margem das notícias e

medidas de impacto real na nação?”

 

Representação social. Não é a revista interna da associação ou as fotografias dos membros da cúpula diretiva que irão traduzir a força do conhecimento técnico praticamente ignorado nas efetivas tomadas de decisão.

Todos temem pela eventual perda de seus empregos e, mesmo sabendo que determinada diretriz, imposta pela empresa ou governo a que estão vinculados, é errada, abaixam a cabeça e continuam a trabalhar (porque é isso que o técnico sabe fazer melhor).

Por último, congregação e acolhimento. Ora, os churrascos, premiações e eventos em geral não podem ser um fim em si mesmos. Devem alavancar o posicionamento social e político dos integrantes do grupo, não sob o viés politiqueiro, mas focando os interesses superiores da cidade, estado ou nação onde vivem e podem influir.

Convivemos com instituições por vezes centenárias, mas onde está a voz da engenharia?

Por que há ferroviários que aceitam ser comandados por interesses político-administrativos divorciados das corretas soluções recomendadas pela engenharia?

Onde estamos falhando para que a base, isto é, engenheiros e pensadores que defendem o modal ferroviário, continue à margem das notícias e medidas de impacto real na nação?

Temos que atingir novos públicos. Falar de ferrovia apenas para ferroviários não irá trazer gente nova disposta a nos ajudar a abrir os olhos da nação.

 

Vamos aos meios televisivos, às redes sociais, sejamos repetitivos em nossas conclusões, pois as pessoas, em geral, veem, mas não enxergam; leem, mas não retêm; ouvem, mas não escutam. Vamos tirar a exclusividade do saudosismo vinculado à ferrovia e colocar o modal ferroviário como solução atual para a carga, do mesmo modo como o metrô já foi reconhecido como melhor solução para o transporte de passageiros no âmbito urbano.

 

Vamos divulgar maciçamente as vantagens da ferrovia sob o título “Você sabia que…?”, mas várias vezes por mês, e com apenas um conceito durante o mês. Não adianta fazer um dossiê a respeito (lembram-se de que as pessoas leem, mas não retêm?).

 

Vamos procurar as faculdades, perguntar aos estudantes suas opiniões, não importa a modalidade do curso, já que todos são cidadãos brasileiros e pagam o Custo Brasil. Então você, brasileiro, preocupado com seu futuro, levante sua voz!