A Renovação das Concessões Ferroviárias

Por Vicente Abate Presidente da ABIFER

O setor ferroviário vive um momento de grande expectativa. O governo federal promove a renovação antecipada de cinco concessões ferroviárias e 13.526 quilômetros de ferrovias são alvo dos contratos, com homologação prevista ainda para este ano.

 

É fundamental, no entendimento da Associação Brasileira da Indústria Ferroviária (ABIFER), que esse processo se acelere, em prol do crescimento sustentável da economia. Os trechos das ferrovias devem receber até R$ 25 bilhões em investimentos nos próximos cinco anos. A competitividade do país ganhará impulso.

 

A entidade, que completa 40 anos de atividades em 2017, defende a prorrogação antecipada dos contratos de concessão da Rumo, VLI, MRS e Vale, para que o transporte ferroviário de carga no Brasil continue a progredir.

 

Por outro lado, com a expansão da fronteira agrícola para o Centro-Oeste e Nordeste brasileiros, torna-se imperiosa a construção de novas ferrovias que, integradas aos modos rodoviário e hidroviário, possibilitem um transporte de grãos mais competitivo, incentivando o seu escoamento para os portos do Norte e Nordeste e desafogando os do Sul e Sudeste do país.

 

Em breve, a Ferrovia Norte-Sul chegará a Estrela d’Oeste, onde se conectará com a Malha Paulista da Rumo. Serão 2.700 km desde São Luís/MA a Estrela d’Oeste/SP, mais 900 km dali até Santos/SP, formando um corredor ininterrupto, na mesma bitola (1,60m) de alta capacidade, com mais de 3.600 km.

 

“A indústria e as concessionárias

possivelmente necessitarão mais trabalhadores

especializados para atender às suas demandas.”

 

 

Há, ainda, a Transnordestina, com 1.728 km de extensão em linha principal. A ferrovia passa por 81 municípios, partindo de Eliseu Martins, no Piauí, em direção aos portos do Pecém, no Ceará, e Suape, em Pernambuco. A obra deverá ser concluída até 2021.

 

Outro projeto importante é a Ferrovia de Integração Oeste-Leste (FIOL) que se destina a interligar as regiões Norte e Nordeste do Brasil. Serão aproximadamente 1.500 km de vias, entre Figueirópolis, no estado de Tocantins, até Ilhéus, no litoral baiano. A FIOL atenderá, principalmente, à produção de grãos do oeste da Bahia e à exploração de minério de ferro em Caetité.

 

A ABIFER também apoia o Programa de Parcerias e Investimentos (PPI), com destaque para a concessão do trecho da Ferrogrão entre Lucas do Rio Verde (MT) e Miritituba (PA). A construção da ferrovia – para a qual se preveem investimentos de R$ 12 bilhões – está sendo projetada pelas principais tradings do agronegócio (ADM, Amaggi, Bunge, Cargill e Louis Dreyfus), consorciadas com a Estação da Luz Participações Ltda. (EDLP). Além da Ferrogrão, haverá subconcessão da Norte-Sul e de parte da FIOL.

 

Esses e outros empreendimentos futuros e em andamento exigirão um permanente desenvolvimento local de competências tecnológicas para a produção no Brasil dos veículos e sistemas ferroviários – o que já vem sendo proporcionado pela indústria ferroviária brasileira.

 

Os investimentos previstos pelas atuais concessionárias em melhorias na via permanente, aquisição de material rodante e expansões serão imediatos, assim que ocorrer a renovação antecipada. Para a indústria ferroviária, isso significa a continuidade no volume de contratos com as concessionárias e a manutenção da mão de obra atual.

 

A indústria e as concessionárias possivelmente necessitarão mais trabalhadores especializados para atender às suas demandas.  A formação desses trabalhadores é uma necessidade premente para a continuidade do crescimento do setor ferroviário brasileiro, que desencadeará maior competitividade nos mercados doméstico e externo.

 

Com o avanço já proporcionado pelas atuais concessionárias ferroviárias de carga, aliado à repactuação de seus contratos e ao posicionamento positivo do governo, estarão sendo criadas as melhores condições para o país trilhar o caminho do desejado desenvolvimento.