VLT de Santos: segunda fase a partir de maio

EMTU pretende ter o nome da empreiteira que ficará responsável pelas obras a partir do dia 5 desse mês

A Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos de São Paulo (EMTU) espera definir a responsável pelas obras de implantação da segunda fase do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) de Santos a partir do dia 5 de maio. A data consta no edital publicado ontem no Diário Oficial do Estado (DOE). A expectativa é que a instalação do modal no trecho Conselheiro Nébias – Valongo tenha início no segundo semestre. Ao custo de R$ 270 milhões, os trabalhos devem durar 30 meses.

Na data prevista no edital, o órgão paulista vai analisar a documentação e as propostas financeiras das empresas interessadas pela execução das obras. Vence quem oferecer o menor preço. Entretanto, é possível que o calendário sofra alterações, em vista da possibilidade do pedido de revisão do resultado, por empreiteiras envolvidas no certame.

O fato já ocorreu quando da sessão pública de entrega de propostas para a implantação da primeira fase do VLT – entre os terminais Barreiros, em São Vicente, e Porto, em Santos. Em 2012, o encontro foi prorrogado duas vezes, por conta de pedidos de esclarecimento de empresas.

Por essa razão, a estatal prevê dilatação na etapa de obras físicas e não crava uma data para o início dos trabalhos. A EMTU limita-se apenas a indicar o início das obras para o segundo semestre. Caso não ocorram atrasados, o órgão paulista avalia que o contratado com a vencedora deva ser assinado em setembro. E os primeiros passageiros sejam transportados em até dois anos após o começo dos trabalhos.

Traçado

Um dos desafios para levar o VLT à região central foi reduzir impactos no entorno, como nas áreas históricas e de preservação arquitetônica. Porém, a Praça dos Andradas, no Centro, será cortada ao meio para a passagem dos trilhos. “Vamos procurar preservar no máximo tudo que Santos tem, mas para passar um trem é necessário fazer algumas intervenções”, resume o secretário estadual dos Transportes Metropolitanos, Clodoaldo Pelissioni.

O projeto alvo de licitação terá oito quilômetros de extensão em vias simples, sendo uma para cada sentido (veja o quadro). O traçado atenderá às universidades, Hospital dos Estivadores, Mercado Municipal, Museu Pelé entre outras atrações. “Vai valorizar o entorno”, diz Pelissioni.

Trata-se da terceira proposta debatida para essa fase. A ideia original era que as duas vias férreas passassem pela Avenida Conselheiro Nébias. “Teve um entendimento com a Prefeitura, junto com os órgãos de preservação ambiental, e foi decidido que o melhor caminho são ruas sem grande movimento de veículos e que vão exigir intervenção sem grandes transtornos”, diz o titular da pasta.

Integração

Com a segunda fase do VLT, é esperado um maior volume de passageiros no novo meio de transporte. Atualmente, são mais de 35 mil usuários que utilizam o modal nos dias úteis entre São Vicente e Santos. Por ser a região central santista um dos polos geradores de emprego, acredita-se que esse número pode multiplicar por três.

A transferência do eixo troncal do VLT se dará em duas estações: Conselheiro Nébias e Campos Melo (integrante da etapa 2). De acordo com a EMTU, a atual plataforma foi “dimensionada para abrigar também os usuários do segundo trecho, não havendo necessidade de ampliação”.

Já a CET-Santos afirma realizar estudos para reorganizar do sistema de transporte municipal, com revisão das linhas e dos trajetos. Atualmente, 13 itinerários circulam da Conselheiro Nébias ao Centro.

Incentivos

A aposta de melhoria nas regiões mais degradadas anima a Prefeitura. A Administração santista planeja conceder incentivos fiscais para estimular a construção de moradias na região central, em especial à margem do traçado do VLT. Uma das ideias também é transformar o Mercado Municipal em núcleo para o desenvolvimento de economia criativa na Cidade.

Terceira fase

A ponte A Tribuna, conhecida como Ponte dos Barreiros, em São Vicente, não precisará ser demolida, na terceira fase de implantação do VLT. De acordo com o governador Geraldo Alckmin, que esteve em Santos segunda-feira, laudos técnicos confirmaram que a estrutura não está condenada. A recuperação e o reforço da ponte serão necessários para a transposição do canal, ligando o VLT à Área Continental da Cidade, pelo Samaritá, divisa com Praia Grande.

*conteúdo originalmente publicado pelo periódico A Tribuna em 27/03/2018