Um passo para mobilidade inteligente

Podemos transformar passageiros em embaixadores do transporte público

smart city

Por Luciano Barbieri – Com o lançamento do Plano Nacional de Internet das Coisas (IoT – Internet of Things) pelo Governo – que detalha a implantação das tecnologias que conectam dispositivos e equipamentos e que aguarda a sanção presidencial – veremos empresas serem cada vez mais estimuladas a investir em projetos em que a conectividade estará presente. Dentre os setores que receberão os primeiros investimentos, estão as cidades inteligentes, com expectativa de gerar de US$ 13 bilhões a US$ 27 bilhões para a economia.

A IoT está se tornando uma realidade no nosso cotidiano. Precisamos dela para solucionar vários desafios como o controle energético, a segurança nas ruas ou a mobilidade urbana. Construir ambientes dinâmicos e eficientes é imprescindível para melhorar o dia a dia das pessoas. A adoção de princípios de uma “smart city” permite aproveitar a estrutura já existente nas cidades e aperfeiçoá-la por meio de investimentos em tecnologias eficazes para solucionar questões relevantes para a população brasileira.

Semáforos inteligentes com sensores de trânsito, por exemplo, podem alterar o intervalo de tempo da sinalização conforme a quantidade de veículos nas ruas. No metrô, uma solução chamada de Optimet Real-time Train Occupancy utiliza sensores que contabilizam a quantidade de pessoas no trem e um sistema mostra a taxa de ocupação dos vagões nos monitores da estação seguinte. Temos ainda o Optimet OrbanMap que permite que os passageiros visualizem em tempo real a situação e posição dos trens, tempo de percurso, interrupções do serviço, entre outros.

A substituição dos motores à combustão pelos elétricos também traz benefícios. Além de consumir menos energia e não poluir o ar, o transporte elétrico utilizado em carros, ônibus ou VLT autônomos e conectado a redes e sensores, traz informações sobre tráfego, além de proteger os usuários, evitando acidentes ou colisões.

Utilizar a inteligência artificial nos dá possibilidades infinitas. Cada exemplo dado pode estar conectado a uma operação maior, interligando as operações dos ônibus, metrôs, taxis, carros compartilhados e bicicletas. Isso já é uma realidade. O centro de controle multimodal Mastria, por exemplo, possibilita analisar todos os dados disponíveis nas cidades para tomar as decisões certas no momento certo até alcançar, por que não dizer, a perfeição. Caso ocorra alguma falha na operação regular, é possível acionar alternativas que contribuam com o fluxo de passageiros sem que estes sintam o impacto.

Ao incluir soluções como iluminação inteligente que respeita o relógio biológico do passageiro ou sinalização indicativa e sistemas de áudio com som claro e uniforme nos sistemas de transporte coletivo, é possível melhorar a experiência do passageiro durante a viagem, estimulando o uso diário.

Cerca de 60% da população mundial viverá em áreas urbanas até o final do século XXI, onde as viagens diárias aumentarão mais de 50%. O uso da tecnologia para criar a mobilidade urbana do futuro é a porta de entrada para o desenvolvimento das cidades inteligentes. Ainda temos muitos passos a seguir, mas tenho convicção que podemos transformar cada passageiro em embaixador do serviço público de transporte, contribuindo para a fluência, a qualidade ambiental e a sustentabilidade, essências das cidades inteligentes.

Luciano Barbieri é diretor de sinalização da Alstom na América Latina – luciano.barbieri@alstomgroup.com
*matéria originalmente publicada pelo DCI em 19/02/2018